Teutônia
– Com certeza você já comeu uma
comida ruim e falou: “Está pior que comida de hospital”.
Este é um conceito geral que se tem sobre as refeições
oferecidas pelas casas de saúde. Mas, ao contrário
do que se pensa, é possível encontrar pratos variados
e saborosos nos hospitais.
Com o objetivo de deixar cada vez mais de lado este velho conceito,
é que os profissionais da nutrição têm
investido em opções diferenciadas para servir
aos pacientes. No Hospital Ouro Branco de Teutônia existe
um trabalho especial realizado pela nutricionista Crislene Aschebrock
Sippel.
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Nutricionista Crislene, responsável pelo
cardápio
Os pacientes, em geral, recebem
três refeições ao dia: café da manhã,
almoço e janta, porém, aqueles com dietas especiais,
como portadores de diabetes mellitus, que necessitam se alimentar
a cada três horas, recebem diariamente seis refeições.
Os familiares ou acompanhantes também podem solicitar
refeições, mediante reserva, no Serviço
de Nutrição e Dietética (SND/cozinha).
Além dos pacientes e seus acompanhantes, o SND também
atende diariamente aos colaboradores da casa da Saúde,
servindo o almoço e comercializando lanches.
Toda semana, a nutricionista prepara um cardápio especial,
elaborado com um prato principal, que é oferecido para
os funcionários e os pacientes com dieta livre. “A
partir deste cardápio, adapto a refeição
para uma dieta sem sal, mais leve ou para diabéticos.
Alguns pacientes, por vezes, reclamam que a comida está
sem sal, por exemplo, mas em função da patologia
sua quantidade deve ser controlada. Da mesma forma que para
os diabéticos não posso oferecer, em uma mesma
refeição, mais de um tipo de carboidrato (arroz,
massa, batata). São cuidados que precisam ser tomados”.
Em geral os pratos oferecidos são compostos por um tipo
de carboidrato (massa, arroz ou batata), uma guarnição
(refogado de legumes, couve a mineira), um prato principal que
é a carne, feijão, lentilha, sopa e saladas. Já
nas demais refeições como o café e a janta,
oferecemos alimentos como frutas, pão, geleia e café
com leite.
“O importante é oferecer um cardápio variado
nutricionalmente, em especial para os pacientes que estão
com a imunidade baixa ou baixo peso e precisam de uma alimentação
adequada para recuperar a saúde”.
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Cozinha industrial atende as normas da vigilância
Comida
de Hospital
Todas as pessoas devem procurar uma alimentação
adequada para preservar ou recuperar sua saúde, principalmente
aquelas que estão adoecidas. Por vezes a dieta impõe
algumas restrições quanto a alguns tipos de alimentos
e é justamente por isso que, segundo a nutricionista,
se criou o “mito” de que comida de hospital é
sinônimo de comida ruim.
“Conversando com os pacientes, muitas vezes eles falam
que a comida está insossa. Mas é justamente porque
a sua dieta não pode levar muito sal. Procuro explicar
o motivo do preparo da refeição sem a adição
do mineral, como para o controle da pressão arterial
ou da função renal, entre outros. Como os alimentos
já contem sal sua adição deve ser controlada
e por vezes evitada”, explicou.
Porém, Crislene destaca que os pacientes têm aprovado
as refeições. “Foram feitas algumas modificações
buscando melhorar cada vez mais a qualidade do alimento que
oferecemos. Temos obtido um bom retorno. Claro que, não
se consegue agradar 100%, pois não há nada melhor
do que a comidinha de casa, mas buscamos satisfazer o maior
número de pessoas possível”, destacou.
Entretanto, a maior relutância é mesmo dos acompanhantes
que, na maioria das vezes, optam pelos lanches. “Eles
me pontuam que é mais uma questão psicológica
e não exatamente porque a comida seja ruim. Eles têm
receio por causa deste ‘mito’ que foi criado em
torno da comida de hospital”.
Um número expressivo de funcionários almoça
diariamente na casa de saúde, uma média de 55
pessoas. “Às vezes, o número de funcionários
é até maior do que o de pacientes”, comparou
ela. Para acompanhar a satisfação dos colaboradores,
é disponibilizada uma ficha de avaliação,
na qual eles podem colocar elogios, sugestões e críticas.
“Na semana passada tivemos somente elogios”, ressaltou.
Depois, a nutricionista deixa um formulário com um retorno
dos apontamentos para os colaboradores no refeitório.
Estrutura
O espaço destinado a preparação das refeições
é amplo e dentro das normas da Vigilância Sanitária.
A cozinha é industrial e conta com espaço específico
para o estoque dos alimentos secos, que não necessitam
de refrigeração, dois freezers para os congelados
e três refrigeradores para os lacticínios, frios,
frutas e verduras, etc.
Ao todo, são treze pessoas que trabalham na parte nutricional
do hospital, entre nutricionista, cozinheira e auxiliares de
cozinha. Segundo Crislene, todos passaram por treinamento externo,
com o coordenador da Vigilância Sanitária do município
para conhecer os princípios das Boas Práticas
de Fabricação de Alimentos e por treinamento interno
para aperfeiçoar a forma de preparação
dos alimentos, para conhecer a forma correta de organização
das bandejas, dos diferentes tipos de dietas, entre outros detalhes.
“Eles são instruídos, porque não
é a mesma prática adotada em restaurantes”.
Todos os integrantes da equipe utilizam como uniforme o jaleco,
touca, avental de plástico e sapatos fechados. “Eles
servem também para a proteção deles”,
completou. Além disso, existem os cuidados específicos
na preparação das refeições. Os
alimentos são descongelados conforme recomenda a legislação,
dentro da geladeira na véspera do preparo ou em forno
microondas. “Precisamos ter um controle de temperatura
para oferecer um alimento seguro. Aqueles que não precisam
ser descongelados são retirados do freezer e imediatamente
preparados”.
As saladas também são preparadas e acondicionadas
do refrigerador até a hora de servir. “Fazemos
diariamente o controle da temperatura dos freezers, refrigeradores
e dos alimentos. Utilizamos planilhas para manter este controle
e garantir que o alimento que está sendo oferecido esteja
próprio para o consumo principalmente porque, em geral,
estamos lidando com pessoas debilitadas”.
Equipe
Conforme Crislene, o trabalho da é essencial para o bom
funcionamento da cozinha, pois há diversas tarefas a
serem compridas, como preparar e montar os pratos e entregá-los
aos pacientes em seus quartos. “Confiro as bandejas, principalmente
do almoço e da janta, para que os pratos atendam a necessidade
de cada um”.
A equipe é um importante elo de informações.
“Elas entram diariamente nos quartos e já conhecem
as preferências de cada paciente e me informam se estão
se alimentando ou não e aproveitam, ainda, para obter
uma resposta do nosso trabalho”, explicou.
Texto: Daniela Baroni
Fotos: Daniela Baroni
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